quinta-feira, 8 de abril de 2010

Meus clássicos favoritos (falando sobre/de literatura)

Millor Fernandes, nascido em 1923, carioca, caturnista, escritor e humorista. A última característica é a mais marcante. O humor baseado na ironia e na malícia são elementos de sua obra que me atraem muito. Millor me lembra, em alguns textos, Nelson Rodrigues, que, nascido no Recife em 1912, viveu até os 68 anos picante tal qual era quando rapaz, ao morrer deixou muitas ex-mulheres, uma filha recém-nascida e um filho guerrilheiro, o que lhe amargurava profundamente, tendo em vista o apoio á ditadura militar (seu maior e pior defeito). A frase que o (auto)define é: "Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fecha dura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)". Produziu peças teatrais, que de tão explendidas foram ajustadas em (uma das melhores) séries de tv (A vida como ela é e Engraçadinha).
Outro querido meu é o Carlos Drummond de Andrade poeta/contista com uma levada mais ingênua sob o ponto de vista sexual mas muito realista podendo até, por conta desse realismo, ser considerado, em alguns textos, um grande pessimista. Não se compara a
sensualidade dos dois primeiros e ainda que carioca, a maladragem inerente a sua terra dificilmente é identificada em seus textos. Nasceu em 1902 e morreu em 1987. Me delicio dele nos dias em que estou mais romântica.




Frases pinceladas:

  • Capacidade de saber cada vez mais sobre cada vez menos, até saber tudo sobre nada. - Millôr


  • A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. - Drummond


  • Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu. - Nelson

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