Após ler a crônica da porto-alegrense Martha Medeiros sobre a 'Impontualidade do Amor' fiquei pensando sobre a leitura que a escritora fez acerca da 'imprevisibilidade' do amor, principalmente no trecho que segue: “A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.”
É engraçado como as pessoas (mulheres, na maioria dos casos) necessitam ouvir a frase “eu te amo” pra acreditarem naquilo em que se está vivendo. A escritora menciona que não se deve esperar ouvir 'eu te amo' após um jantar romântico no dia dos namorados. Mas se espera, não adianta. O problema da idealização não é a própria idealização, mas sim a dificuldade que as pessoas têm em ler certas situações. Um jantar romântico à luz de velas GRITA 'eu te amo', não é preciso que o cara diga nada. A tua bala preferida entregue por ele, que ao passar pela tabacaria lembrou de ti, quer dizer muito mais do que flores arranjadas por outra pessoa, colocada em um papel colorido escolhido por outra pessoa, acompanhada de um cartão escrito por outra pessoa! Muito melhor não dizer 'eu te amo' (ou não dizer tanto) e propiciar 'situações eu te amo'. O 'eu te amo' a todo momento seguido de desrespeito, acomodação, mentira ou qualquer outra coisa que contradiga o amor não é legítimo. Falar é fácil, fazer sentir através de gestos não.
Apesar de concordar que idealizar muitas vezes possa desencadear sofrimentos, acredito que a maioria das frustrações nos relacionamentos dão-se, principalmente, pela falta de sensibilidade na hora de interpretar os 'eu te amo feitos', e pela angustiante espera dos 'eu te amo ditos'...
Apesar de concordar que idealizar muitas vezes possa desencadear sofrimentos, acredito que a maioria das frustrações nos relacionamentos dão-se, principalmente, pela falta de sensibilidade na hora de interpretar os 'eu te amo feitos', e pela angustiante espera dos 'eu te amo ditos'...
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