quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O cliente, tem que ajudar..

Um homem estava sendo julgado por assassinato.  Havia evidências irrefutáveis sobre a sua culpabilidade, mas o cadáver não aparecia.  Quase no final da sua alegação oral, o advogado, temeroso de que seu cliente fosse condenado, recorreu a um truque:
-  Senhoras e senhores do júri, senhor Juiz, tenho uma surpresa para todos.- disse o advogado, olhando para o seu relógio -  Em dois minutos, o suposto morto entrará na sala deste Tribunal e assim a inocência do meu cliente, seu suposto assassino, ficará inegavelmente demonstrada.
Dito isto, o advogado ficou olhando para a porta.  Os membros do júri, o juiz, todos os ali presentes, surpresos, olhavam também para a porta, cheios de ansiedade.  Transcorreram dois longos minutos, e nada aconteceu.  O advogado, então, concluiu dizendo:
 
-  Realmente, eu disse isso e todos vocês olharam para a porta com a expectativa de ver a suposta vítima entrar.  Portanto, ficou claro que todos têm dúvidas neste caso de que alguém tenha realmente sido assassinado.  É por isso que lhes rogo que considerem o meu cliente inocente, já que perante a dúvida, o mesmo deve ser declarado absolvido. In dubio pro reo.
Os membros do júri, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final.  Pouco depois, o júri voltou e pronunciou o seu veredicto:
-  Culpado!
-  Mas, como? - perguntou o advogado - Eu vi todos vocês olharem fixos para a porta.  É evidente que tinham dúvidas!  Como condenam com dúvida?
E o juiz esclareceu:
-  Sim, todos nós olhavamos para a porta, mas o seu cliente olhava para o chão...

2 comentários:

Anônimo disse...

muito bom esse continho, fico muito orgulhoso, parabéns
gregorio

Sabrina disse...

Bah, bem legal!! Isso fez com que eu me lembrasse de uma frase tbm bem interessante: "A dúvida é uma homenagem prestada à esperança."!
Saudade Annilda, beijão